O que acontece ao pedido entre as doze de segunda e a doca de quarta
Quarenta e oito horas parece muito para uma carrinha que anda meia hora. Aqui está para onde é que elas vão.
Das quarenta e oito horas, cerca de quatro são de estrada. O resto é encher, arrefecer até aos quatro graus e picar a rota inteira de uma vez.
Fecha o pedido às doze de segunda-feira e a carrinha só lhe bate à porta na quarta. Duas horas de estrada separam o cais de qualquer ponto da rota, portanto a pergunta é justa: onde é que se metem as outras quarenta e seis?
A primeira metade é enchimento. Não temos armazém de produto acabado cheio à espera de pedidos, porque isso obrigaria a encher a adivinhar e a deitar fora o que sobrasse. Enche-se contra pedido fechado, e a linha corre uma vez por dia. O pedido de segunda ao meio-dia entra na corrida de segunda à tarde.
A seguir vem o frio, e é a parte que não se pode encurtar. O sumo sai da linha acima dos dez graus e tem de chegar aos quatro antes de ir para a palete. Numa câmara cheia isso leva entre dez e catorze horas conforme a quantidade. Carregar antes de estar frio é mandar a diferença de temperatura para dentro da carrinha, e depois para dentro da sua câmara.
A terceira parte é a rota. As paragens de um dia são picadas todas ao mesmo tempo, na véspera à tarde, porque a ordem das paragens depende do peso e o peso depende de quem pediu o quê. Uma alteração à uma da tarde da véspera obriga a refazer a carga inteira, e é por isso que o fecho é onde é.
Quem precisar de uma coisa fora deste ritmo pode sempre telefonar: se houver na câmara o que precisa e a rota do dia lhe passar à porta, vai. O que não fazemos é prometer isso por escrito, porque uma promessa que só se cumpre metade das vezes é pior do que não a fazer.